SOBRE LUTO OU MEDO DE PARTIR (ou aceitar a partida de alguém)


1 – A vida muitas vezes não parece mesmo ter significado, mas morre bem quem dá significado a ela. E o que percebi desta vez foi que para ter uma vida significativa a gente não necessariamente precisa ser famoso, ganhar dinheiro, ser reconhecido ou admirado por milhares de pessoas: basta ter sido bom, alegre, basta ter ajudado os outros da forma que podia, com o que tinha (era o caso do meu vô);


2 – Para se tornar realmente importante na vida de alguém, não é necessário ter as palavras certas, fazer discursos, explicar cientificamente algo ou ter muito conhecimento: basta saber dar um abraço, perceber o outro com amor e simplesmente estar ali, totalmente presente naquele momento. A presença é a qualidade mais importante ao se criar laços humanos e de amor (era o caso do meu vô "again" rs - tanta coisa sendo ensinada...);




3 – Nós somos CO-criadores da nossa vida, mas obviamente este “CO” é uma parte muito importante da expressão. Várias coisas aparentemente ruins também acontecem que não necessariamente foram criadas por nós, mas ao vivê-las intensamente percebemos o quanto são valiosas e o quanto este Outro CO-criador é mais sábio do que a gente… Portanto só o que podemos fazer é aprender com estes acontecimentos da melhor forma possível;


4 – Todas as cerimônias relacionadas a morte não são feitas para os mortos e sim para os vivos. Se pensarmos que os mortos retornam para a fonte de inteligência suprema, é muito provável que nenhum deles quisesse que as pessoas estivessem ali velando sua morte e sim prefeririam que estivessem celebrando sua vida. Nós não choramos pelos mortos, choramos por nós mesmos que continuamos aqui, sem entender nada… Choramos porque não sabemos se vamos conseguir viver com a falta, com a lacuna que aquela presença preenchia;


5 – A morte não tem nada de assustadora para quem vive intensamente. Se temos medo da morte, é porque não estamos vivendo de acordo com todo o potencial ilimitado que temos! É clichê, mas é verdade! Aquele que passa a tomar todas as iniciativas necessárias para caminhar rumo ao seu propósito, que age de acordo com a voz que fala em seu peito e vive de acordo com a sua intuição sente uma paz gigantesca, pois sabe que se a morte estiver em seu caminho, é porque ela seria o acontecimento mais acertado…


*adaptado do texto da Alana, que passou por um processo de luto na mesma epoca que eu, em setembro de 2016 (dois anos sem meu segundo avô)... o Facebook me lembrou desse texto e compartilhei aqui porque sempre tem alguém que precisa ler para ajudar a ressignificar o processo.


*imagem: a beautiful mess

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© 2018 por Van Hamazaki. Fotos: Mari Marques. Todos direitos reservados.