Olá, eu sou a Van

Canceriana de asc peixes, tenho 36 anos, dois gatos, um companheirão e autoestima elevada que nem sempre foi assim. Na verdade minha estima era no dedão do pé até a época da faculdade e desde os 20 anos trilho os caminhos do autoconhecimento porque me sentia o patinho feio e me via totalmente perdida dentro de mim e sem entender quem eu era.


Cresci no meio de uma família disfuncional e com uma série de feridas internas que passaram a gritar conforme eu avançava na vida - como já dizia Calligaris: “numa psicanálise descobre-se que a vida adulta é sempre menos adulta do que parece: ela é pilotada por restos e rastros da infância.” Eu sentia esses rastros doerem cada vez mais e recebia do mundo o reflexo das minhas crenças. Eram coisas como: “você é uma menina feia”, “os homens são violentos”, “é mais seguro ser solteira”, “menina direita não faz isso”, “cuidado com suas roupas, se acontecer algo com você na rua, a culpa é sua” e por aí vai.

Obviamente que as consequências foram bem ruins para minha autoestima e identidade. Não acreditava em mim. Era tímida. Me sentia desencaixada e diminuída perante minhas amigas de escola. Procurei me isolar do mundo por proteção. Passei por algumas experiências ruins no relacionamento com homens que obviamente eram validadas pelas crenças que eu tinha. Mas aí mudei a minha realidade! Mudei porque tive a coragem de me vasculhar - e não é fácil fazer isso; sempre é muito desafiador porque dói, né?! ⠀ É preciso ter muita compaixão consigo mesma quando você vai mexer numa ferida e suportar a dor inicial (quem lembra do mertiolate na sua primeira fórmula? Era o terror das criancinhas porque aquela coisa doía mais que o próprio machucado). Pois é: para se curar, é necessário mexer. E para mexer é necessário muita compaixão, honestidade e acolhimento consigo porque a tendência é de a gente fugir porque acha que não vai suportar passar pela dor novamente. Quantas e quantas vezes me arrependia de ter começado a terapia e a formação em psicanálise - eu achava que não ia dar conta de tanta dor! 

Mas valeu a pena. Valeu a pena cada momento de entrega e confiança nas pessoas que estavam me ajudando a me resgatar. Eu não desistiria porque sabia que, se eu quisesse ser e ter o que tenho hoje, teria que mexer nessas feridas, crenças e ressignificar toda uma história com minhas origens. ⠀ Pulando para dezembro de 2014: estava administrando o fim de uma carreira e a estruturação da outra no meio de um turbilhão emocional. Nessa de administrar tanta coisa ao mesmo tempo, meu processo de autoconhecimento e cura se acelerou e depois me joguei nos atendimentos de vez, que tinha iniciado na clínica Leonor em 2010, continuados na Casa Violetta e as sincronicidade me fizeram chegar, agora em 2017, no espaço Kirom. Nele tive a oportunidade de montar minha sala com a minha cara e não tive dúvidas de me instalar na Afrodite. Ela representava tudo que eu havia trabalhado: o despertar do amor por mim mesma com muito acolhimento e paciência e o desabrochar da mulher que quis ser um dia. Quando me instalei na sala que leva seu nome, não tinha ainda parado para pensar a que me dedicaria (e era tão óbvio! Era só olhar para mim mesma e minha trajetória).


Aqui nasceu a AFRODITE•SE com o conceito do trabalho com o feminino, representando a jornada dessa mulher por caminhos não tão perfeitos para descobrir a pérola dentro de si.

A AFRODITE•SE é um trabalho criado para essas mulheres que estão precisando de uma mãozinha para se autoconhecer e alegrar-se no amor por si mesmas, atendendo às suas necessidades de modo amoroso e respeitoso e tendo a consciência que para amar ao outro, é preciso amarmos a nós mesmas antes. É preciso aprender que “O espaço que damos ao outro depende de quanto de espaço damos a nós mesmas” - e a qualidade desse contato também, afinal a gente ensina ao outro como nos tratar e se nos amamos e nos tratamos bem, passamos isso ao outro (não aceitamos menos que isso) - essa é a mensagem de Afrodite. 


Instituto Afrodite•Se - Rua Pereira Stéfano, 114 conj 1205 - Saúde - São Paulo/SP
© 2018 por Van Hamazaki. Fotos: Mari Marques. Todos direitos reservados.