Era algum dia de 2008...


Meu pai estava passando por uma depressão profunda. Não sei quantas vezes o suicídio passou pela cabeça dele. Do que ele me contou: 2x. Nas duas ocasiões quem tirou o raciocínio dele foi o meu sobrinho, que tinha três aninhos. Em uma, ele estava deitado no sofá, pensando como faria para tirar a própria vida sem risco de falha. Nessa, meu sobrinho levantou de onde estava brincando, tocou no rosto dele e disse: "vovô, te amo". Na segunda ocasião meu sobrinho pegou um baldinho e tacou na cabeça dele gritando: "acorda!!!" Dalí meu pai pensou o que ele estava ensinando para meu sobrinho escolhendo desistir da vida. Passou-se poucos anos, foi minha vez de balançar na depressão. Meus pais se assustaram com minhas atitudes. Meu pai mais ainda, com receio de a filha dele estar desenvolvendo o que ele até então chama de problema de família (meu bisavô se suicidou). No meio da minha crise minha mãe ia me levar para o psiquiatra que cuida do meu pai - e meu pai foi conversar com a minha terapeuta para saber se meu caso era tão sério quanto o dele. A resposta dela: "confia no que te digo, a Van não tem medo de enfrentar a situação, ela vai sair dessa". E eu procurei ajuda. A junção de técnicas terapêuticas e minha ânsia de sair da situação por meio da dança me tirou do processo meses depois - claro que permaneci me cuidando, mas a fase assustadora tinha ido. De lá pra cá juntei minha toda minha vontade de estudar e investi na compreensão dos motivos que nos levam a ver a vida em tons de cinza. Depressão não é frescura - na época eu senti como se estivesse perdendo o controle da minha cabeça e emoções. Um lado meu queria sair daquilo mas o outro lado estava se sentindo confuso, impotente e com medo. A minha saída foi acolher esse meu lado impotente sem críticas e sem a ilusão de que eu tinha obrigação de ser forte. Eu saí da depressão mais fortalecida e cheia de aprendizados daquela fase nebulosa da minha vida. Desenvolvi na dança por meio dela. Estou onde estou porque passei por ela... Se vc está passando por um momento assim, peça ajuda! Se conhece alguém na mesma situação, não negligencie um pedido de ajuda. Substitua o julgamento pelo seu carinho, compreensão e acolhimento. Falar sempre é a melhor opção. Espalhe informação! 💛 Links úteis: www.cvv.org.br www.contecomigo.org.br www.setembroamarelo.org.br

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